Salve as alterações.

Fui Parar na Internet



   Engraçado como transformamos o que era pra ser útil em algo fútil, porque gostamos tanto de humilhar ou difamar alguém ? porque achamos tão divertido ver alguém exposto nas redes sociais, o que as pessoas que publicam videos ou fotos de suas namoradas na internet ou espalham o vídeo pelo Whatsapp ganham com isso ? Juro que não consigo entender ou aceitar.
 Eu falava sobre isso com um amigo ontem mesmo após receber um desses infelizes vídeos sem desejar por um app de celular e pensei na mulher que eu via ali,exposta toda sua intimidade e com certeza sem sua permissão e senti vergonha,não por ela ter sido filmada,que pouco importa se ela autorizou ou não, mas senti vergonha pelo infeliz que colocou o vídeo na internet.vergonha pelas pessoas que acham engraçado esse tipo de coisa e ajudam a divulgar e mais vergonha ainda dos comentários que julgam, que falam maldosamente.. Infelizes...
  E hoje olhando o Facebook de um amigo encontrei um texto que falava sobre exatamente esse assunto,achei tão o máximo,tão tudo o que penso que estou compartilhando com vocês. O texto está em nome de Lara Luccas, então imagino que ela seja a autora: 

Eu me apaixonei bem nova, bem nova mesmo, por um cara. E fui apaixonada por anos. Levei 4 anos apaixonada até finalmente ir até a casa dele e transar com ele. Eu perdi a virgindade com esse cara, no caso. E ele filmou. Não escondeu uma câmera nem nada: ele simplesmente se esticou, pegou um celular e filmou. Foi consentido, mas ninguém avisou nem perguntou nada. Naquele momento tava claro que eu consentia, porque ele não escondeu e eu sabia que podia pedir pra ele desligar. Mas eu não pedi. Não vi motivo pra pedir - ainda não vejo. mas na época eu não tinha como ver, mesmo. caralho, eu tinha acabado de fazer 15 anos e tava cegamente apaixonada: quem veria algo de ruim assim? A filmagem não tinha função nenhuma. Eu tar ali, de 4, também não: qual a função do sexo se não for reprodutivo, gente? Acho que todo mundo concorda que é simplesmente dar prazer: e tava dando. E filmar deu pra ele e pra mim também. Aquilo, naquele momento, fazia parte do ato. Naquele momento era excitante e perfeitamente aceitável. Existem fotos, também. Que eu mesma mandei. Porque eu tava apaixonada, porque eu confiava na pessoa que eu amava. Esse vídeo nunca caiu na net. Nem as fotos. Ninguém nunca compartilhou esse vídeo, ninguém compartilhou essas fotos. Eu nunca fui exposta por ter feito sexo e as pessoas nunca usaram minha própria intimidade como uma arma contra mim. Mas eu fiz isso. Eu sou essas meninas, também, e por mais que os ataques não se voltem pra mim, eles me atingem. E querendo ou não, atingem todas as mulheres. Porque atinge a sexualidade feminina. Atinge o poder de decisão feminino sobre o que será ou não exposto sobre si. Atinge a liberdade da mulher de fazer o que ela quer e pode fazer. Nem todo mundo transa. Mas todo mundo tem uma intimidade que só deve ser exposta com autorização. E todo mundo tem o direito de transar, se quiser, sem sofrer repressão por isso. Eu não sou mais madura, mais inteligente, mais responsável nem nada que nenhuma das meninas que caíram na net. Eu sou exatamente igual às tais meninas. Eu só tive mais sorte. E não foi sorte do cara ser bonzinho e não espalhar as coisas. Foi sorte por ele não ser um completo saco de bosta podre com relação à isso. Não é mais do que a obrigação de alguém preservar a intimidade de outra pessoa que cedeu-lhe confiança. Não é bondade. Não é um favor. É obrigação ética e moral. A única coisa que me separa dessas meninas é isso: o cara em questão, no meu caso, teve um mínimo de bom senso. No delas, não. Ainda assim, em momento algum a massa questionou eles. Ninguém perguntou pra eles qual a função de postar aquilo. Ninguém perguntou o que aquela postagem traria de positivo pra eles. Todo mundo berrou pra elas que não existia função em se filmar ou fotografar. O único ponto que criou o problema não foi questionado em momento algum. Eu não ter sofrido em NADA com isso só mostra que filmar ou fotografar não é o problema. Ser um cuzão é.

Lara Luccas  

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